segunda-feira, 4 de março de 2013

Perseguição implacável

Alcoa Puritan, afundado pelo U-507 em 6 de maio de 1942
Algumas vezes, a lealdade de Schacht aos ideais nazistas chega ao limite em que a crueldade e a ironia tornam-se espécies de armas contra os inimigos. Em 6 de maio, dia seguinte aos ataques a Munger T.Ball e Joseph M. Cudahy, foi a vez do Alcoa Puritan cruzar o caminho do U-507. A embarcação, da Alcoa Steamship Co., de Nova York, fora construída em San Francisco, no ano anterior, e pesava 6,7 mil toneladas, com 121 metros de comprimento, 18 metros de largura e 10 metros de profundidade.
Ao meio-dia, a cerca de 80 quilômetros a sudeste do Mississipi, tripulantes avisaram o capitão Yangvar Krantz sobre a aproximação de um torpedo pela popa do navio. O comandante mandou o navio manobrar, a todo vapor, ficando completamente de costas para o projétil, deixando assim uma área menor como alvo para o U-boat. A manobra funcionou, e o torpedo passou ao largo da embarcação.
No U-507, Schacht não se deu por vencido e começou uma perseguição. Mais rápido, o submarino não teve dificuldades para alcançar o Alcoa Puritan, carregado com 10 mil toneladas de bauxita. Depois de cerca de 25 minutos de rajadas de metralhadoras do convés do submarino, um tiro certeiro de grosso calibre na cauda fez o timoneiro perder o controle do navio americano. Sem saída, Krantz ordenou o abandono da embarcação.
Irritado, o comandante do U-507 não tomou conhecimento e prosseguiu com o bombardeio. Um barco salva-vidas foi destroçado antes mesmo que os náufragos pudessem alcançá-lo. Restou aos tripulantes do Alcoa Puritan, entre eles oito sobreviventes de um navio-tanque atacado dias antes pelo submarino italiano Pietro Calvi, agarrarem-se a um bote salva-vidas e a duas pequenas balsas. Por milagre, apenas dois dos 41 tripulantes e oito passageiros ficaram feridos por estilhaços.
Mal os salva-vidas tinham sido arriados, o U-507 disparou um torpedo a bombordo do navio, que explodiu e afundou em cerca de oito minutos. Pouco depois, como de praxe em ataques desse tipo, o próprio Schacht emergiu para averiguar o sucesso de operação.
Em seguida, manobrou o submarino em direção aos náufragos, perguntou onde estava o comandante e dirigiu-se ao bote onde estava Krantz:
– Você pode agradecer ao senhor (Franklin Delano) Roosevelt por isso – disse Schacht, com um inglês impecável e uma ponta de ironia, antes de desejar que os americanos chegassem à praia em segurança. – Desculpem, eu tive que afundar o seu navio, mas esta é a guerra.

(TRECHO DO LIVRO "U-507")